FMI aumenta previsão de crescimento global em 2014, mas reduz a da América Latina

22 de enero de 2014
Fuente: Publicado por EM.com.br, Brasil
Washington, 22 de enero (AFP)- O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para cima, ontem, sua previsão de crescimento econômico mundial para 2014, mas reduziu sua projeção para a América Latina, especialmente no Brasil.

De acordo com as novas projeções do FMI, o Produto Interno Bruto (PIB) mundial deverá aumentar 3,7% este ano, 0,1 ponto a mais que o previsto pela entidade em outubro passado.

Para o ano de 2015, o FMI manteve intacta sua projeção de um crescimento econômico global de 3,9%.

Esta é a primeira vez, desde abril de 2012, que a instituição com sede em Washington revisa para cima suas previsões e expressa um leve aumento do otimismo sobre a economia mundial, muito afetada desde a crise financeira de 2008.

O Fundo espera que "o crescimento da atividade continue em 2014", indica em um breve relatório.

"Nas economias desenvolvidas, a demanda final (dos consumidores) aumentou em seu conjunto, como estava previsto", ressalta o FMI, comemorando o acordo orçamentário nos Estados Unidos e a saída da recessão na Eurozona, que terá neste ano um crescimento melhor que o previsto, segundo as novas projeções (+0,1 ponto, a 1%).

Com um crescimento esperado para 2014 de 7,5% (+0,3 ponto que a estimativa de outubro), a China será novamente o principal motor das economias emergentes, que também devem começar a se beneficiar do crescimento nos países ricos, segundo o FMI.

A nota discordante no novo conjunto de previsões do FMI foi a região da América Latina e do Caribe, e em especial a economia brasileira, cujas projeções de crescimento foram revisadas para baixo.

No caso do Brasil, o FMI reduziu em 0,2 ponto sua previsão de crescimento para este ano, a 2,3%, enquanto para o próximo ano revisou sua projeção com queda de 0,4 ponto, a 2,8%.

O crescimento de toda a América Latina e o Caribe, por sua vez, foi revisado para baixo em 0,1 ponto este ano (3,0%) e 0,2 ponto no próximo ano (3,3%).

Entre os países da região, o FMI manteve intactas suas previsões de crescimento para o México em 2014 (3,0%) e 2015 (3,5%).

De acordo com o FMI, diversas economias emergentes se beneficiaram e se beneficiarão este ano das demandas da China, mas em alguns casos "a demanda doméstica foi menor que o esperado".

Esta situação, apontou a entidade, "reflete, em diversa medida, mais ajustadas condições financeiras e políticas desde meados de 2013, assim como incertezas (...) que têm peso especial sobre os investimentos".

Este é um cenário muito similar que motivou uma revisão em queda de 1 ponto de crescimento da Rússia para este ano (2,0%) e de outro ponto para o próximo ano (2,5%). Trata-se da redução mais drástica do novo estudo do FMI.

Espanha melhora suas perspectivas.

Em sua análise da zona do euro, o FMI revisou em alta de 0,1 ponto a previsão de crescimento regional, que alcançará 1% em 2014 e 1,4% em 2015 (+0,1 ponto). Dentro deste grupo de economias se destaca a Espanha, que, após ter passado dois anos em recessão, se recupera a um ritmo melhor que o esperado.

A entidade aumentou em 0,4 ponto sua previsão de crescimento espanhol este ano em relação a sua estimativa de outubro passado, a 0,60%, no que constitui a maior revisão em alta entre as economias da zona do euro.

Para o ano de 2015, a entidade financeira também revisou para cima as cifras de outubro passado, aumentando em 0,3 ponto a projeção de crescimento econômico espanhol, que deveria alcançar 0,80%.

De acordo com o FMI, as economias da zona do euro "estão dobrando a curva desde a recessão a recuperação".

Neste contexto geral, o Fundo alertou sobre um excesso de otimismo. "Esta é ainda uma recuperação frágil e irregular", informou o economista chefe da instituição, Olivier Blanchard.

Destacando áreas de fragilidade persistente, o FMI pediu aos grandes bancos centrais para não pôr um fim prematuro a suas políticas de apoio à economia.

No capítulo de recomendações, o FMI apontou que as economias emergentes "devem administrar cuidadosamente os riscos de uma potencial reversão dos fluxos de capital". Isso é particularmente importante para países "com fragilidades domésticas".